quinta-feira, 27 de março de 2008

Razões pró e contra a Copa de 2014

Seguem abaixo dois textos, um a favor e outro contra a Copa de 2014, ambos servem para a construção do trabalho:

Copa de 2014 pode contribuir para inclusão social e mais transparência no futebol, diz ministro
Yara Aquino Enviada especial
Zurique (Suíça) - Na terça-feira (30) o ministro do Esporte, Orlando Silva, participa, na sede da Federação Internacional de Futebol (Fifa), em Zurique, Suíça, da cerimônia que definirá se o Brasil irá sediar a Copa do Mundo de 2014.

Em entrevista à Agência Brasil, o ministro fala da expectativa com a decisão da Fifa, da candidatura única do Brasil e do apoio de países da América do Sul. Para ele, o mundial é uma possibilidade de tornar o futebol brasileiro mais transparente e de associar o esporte a políticas públicas de inclusão social.

Agência Brasil: Pela campanha que o Brasil fez até agora para sediar a Copa do Mundo de 2014, pelas impressões expressas pelos inspetores da Federação Internacional de Futebol (Fifa) que vieram ao Brasil, qual expectativa para a próxima semana?
Orlando Silva: Nossa expectativa é de que no próximo dia 30 o Comitê Executivo da Fifa anuncie que a Copa do Mundo de 2014 será no Brasil. Isso é uma homenagem à torcida brasileira, que é apaixonada por futebol, e ao futebol brasileiro, que é o único pentacampeão do mundo. É uma homenagem à América do Sul, estamos sendo brindados pelo rodízio entre os continentes e todos os países da região apóiam a candidatura brasileira.

ABr: Quando será definido em que cidades brasileiras serão realizados os jogos?
Silva: Dezoito capitais estão interessadas e inscritas no projeto que foi apresentado à Fifa pela Confederação Brasileira de Futebol. Entre as 18 terão que ser escolhidas dez ou 12. Falo esse número por que existe uma idéia original da Fifa de serem dez as cidades sede de jogos e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com nosso apoio, tem argumentado que seria importante que fossem 12, já que o Brasil é um país continental. As 18 cidades estão definidas e, a partir de inspeções realizadas pela Fifa no ano que vem, é que na eventualidade de o Brasil ser confirmado como sede, a Fifa decidirá quais serão as 12 premiadas.

ABr: O Brasil é candidato único. O senhor acredita que se for o escolhido isso pode dar margem a interpretações de que o país só irá sediar a Copa do Mundo de 2014 por que não teve concorrentes?
Silva: Creio que não. O Brasil é candidato único porque, de acordo com rodízio da Fifa, a Copa deve ser realizada na América do Sul, e a região inteira chegou à conclusão de que era justo o Brasil sediar. A Colômbia chegou a apresentar sua postulação. Com os debate feitos em nossa região decidiu-se que era melhor que todos unificassem em torno do Brasil. Na verdade, o que os países da América do Sul fizeram foi uma homenagem ao nosso futebol.

ABr: Em relação à estrutura, o que é necessário para tornar possível a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014?
Silva: O Brasil poderá usar algumas arenas existentes com reformas e adequações e outras serão construídas. Isso vai preceder a definição das cidades que realizarão os jogos e algum investimento terá que ser feito na área de transportes, aeroportos, rede hoteleira, infra-estrutura de telecomunicações, segurança pública, transporte urbano. Decidida a Copa no Brasil, fixadas as cidades sedes, tudo isso exigirá um plano meticuloso para a garantia do sucesso pleno. E o importante é que tudo aquilo que for construído, reformado, investido nas cidades sedes, ficará para o país depois da Copa.

ABr:Quem arcaria com esses custos, o governo, a iniciativa privada ou ambos?
Silva: Funções que são típicas de Estado podem ser responsabilidade de prefeituras, estados e do Governo Federal. Temas como segurança, logística, estradas, aeroportos, são matérias que merecem uma atenção direta por serem atividades tipicamente públicas. Teremos a participação da iniciativa privada, por exemplo, na rede hoteleira, com o investimento para a expansão de leitos, nos estádios. Aí teremos investidores privados para construir ou reformar. Já fomos procurados por várias empresas interessadas em participar de investimentos no Brasil para o projeto da Copa. Empresas do Brasil e também de outros países.

ABr: Durante os Jogos Pan-Americanos houve destaque para o esporte como um meio de transformação social, de ensinar aos jovens valores como disciplina e determinação. O senhor acredita que um evento como a Copa do Mundo, se realizada no Brasil, poderá ter essa interface social?
Silva: Seguramente, até por que o futebol é uma modalidade que tem um apelo muito grande junto às camadas mais desfavorecidas da sociedade brasileira e até alimenta o sonho de ascensão social para muitas crianças e jovens. Temos que ter capacidade de associar essa movimentação em torno da Copa com projetos sociais, valorizando o futebol como uma forma de educação, de formação para a cidadania, criando mecanismos de vivência esportiva e utilizando-a para melhor formar as futuras gerações.

ABr:Que tipo de retorno um evento como esse pode trazer para o Brasil?
Silva: A Copa do Mundo da Fifa no Brasil, por ser um dos maiores eventos internacionais, é uma plataforma única de promoção do país no exterior. Um resultado imediato é o incremento do turismo, a divulgação do Brasil no mundo e isso gera emprego. De outro modo, a realização dessa Copa exigiria uma séria de investimentos, o que vai gerar empregos no interior do Brasil em várias áreas que lidem com temas como o da infra-estrutura. A Copa do Mundo também pode ser uma oportunidade para que o futebol brasileiro aproveite o ambiente criado, as instalações que ficarão disponíveis depois e se modernize. Aposto que a Copa pode ser o ideal para o Brasil se referenciar na modernização de seu futebol, respeitando os direitos de seus torcedores, valorizando nossos atletas, protegendo os clubes formadores e tendo uma gestão de clubes e campeonatos mais transparente e mais profissional.

Essa Copa o Brasil já perdeu!

O futebol claramente cega a maioria da população brasileira. Se o dinheiro usado na Copa fosse parar nas Ilhas Caymann, metade da população se revoltaria, falaria que só tem ladrão no país, no entanto, os bilhões vão construir campos, hotéis, melhorar a infra estrutura de ALGUNS lugares, e depois?

Os bilhões que serão gastos ficarão esquecidos. O que poderia ter sido gasto comprando aparelhos pra hospitais, ajudando instituições, melhorando a infra estrutura das cidades e municípios mais carentes do Brasil, serão colocados literalmente em jogo.

O futebol deixa boa parte dos brasileiros alienados, é um dos poucos únicos motivos que faz o brasileiros se unirem em pró do mesmo objetivo: a vitória.

O futebol faz as pessoas ficarem indiferentes uma com as outras, independente de cor, credo ou classe social… Como diz a música dos Titãs. Já vi muito pai de familia rica abraçar mendigo na rua quando comemorava um gol da seleção.

Toda população brasileira se une pela paixão ao futebol, mesmo pessoas que são adversárias em outras ocasiões, e torcem por times diferentes, todos esquecem o Fla x Flu ou Palmeiras x São Paulo, e só pensam que o que tem é Brasil x Alguém.

Mas infelizmente, o que acontece de pior nessa época é que a copa faz as pessoas esquecerem que milhões de outras pessoas, que gostam de futebol assim como elas, estão esperando em hospitais públicos o atendimento por horas, e quando são atendidas, não conseguem tratamento pela falta de aparelhos, ou pela infra estrutura muito pobre.

Um clássico exemplo foi o Pan Americano. Eu moro no Rio de Janeiro, e sei ( o Anderssauro também, porque ele estava aqui) muito bem no caos que o Rio se transformou durante a época do Pan. Milhões foram gastos pra deixar o Rio de Janeiro melhor pro Pan e pros atletas, milhões que poderiam ser gastos em coisas que durariam mais, que trariam um bem maior à toda sociedade.

No entanto, a fila de espera em Hospitais continua, e os ginásios construídos para o Pan estão sem realizar nada. Vez ou outra fazem alguma coisa no Maria Lenk, mas é muito raro.

Certa vez eu falei a mesma coisa que escrevo aqui para o meu professor de química, e ele me deu um baita de um sermão, dizendo que era ignorância minha, que o esporte une os brasileiros e etc…

É verdade, une mesmo.

Eu tenho plano de saúde, nunca precisei enfrentar uma fila de hospital público, mas eu não sou cega, muito menos burra, eu sei o que se passa aqui no Rio e em vários outros estados. E o problema não é só em hospitais. Várias cidades não possuem nem asfalto, milhares de pessoas não tem o que comer, não tem emprego, moram em casas de papelão.

Minha mãe é professora de uma escola municipal, eu “conheço” a pobreza, apesar de nunca ter sido pobre. Desde pequena minha mãe levava meus brinquedos, roupas e sapatos pra escola, tinha criança que havia perdido tudo em enchentes, porque a rua estava com os bueiros entupidos e já como eles moravam em casas de papelão e madeira, perdiam tudo.

Sempre odiei futebol, mas isso não é minha desculpa pra não querer a copa aqui. Não adianta fazer ginásios, melhorar as principais ruas da cidade, botar uma máscara no Brasil pra quando os gringos chegarem verem uma falsa realidade, embora eu não saiba se mascarar o Brasil seja algo assim tão falso.

Acreditem, quando eles forem embora, o Brasil vai continuar na mesma. Crianças e adultos morrendo de fome, ou na fila de hospitais, pessoas perdendo o pouco que tem com enchentes, fora a violência, mas isso é assunto para outro post.

Antes de falarem que eu sou um pessimista, desacreditado, ou algo do genêro, digo a vocês que escrevi esse post com base na realidade atual. Quero muito que isso mude. Porque já que o patriotismo que temos durante a copa chegou antes, quero, e muito, que ele fique com a gente pelo resto dos anos.

Caso contrário espero que em 2014 eu esteja muito longe daqui, enquando o caos estiver rolando solto no país.

André Mattos

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